Comentário da lição 2009-10-02 PDF Imprimir
Escrito por Moises Sanches   
Sex, 02 de Outubro de 2009 11:27
Olá amigos,
Após as idas e vindas do nosso adorado ENEM, estamos de volta, com um considerável atraso, aos 31 minutos da prorrogação...
Bem, vamos ao assunto então.
Estamos adentrando a uma nova lição, cujo foco é o modelo matemático de Israel. Vamos estudar neste trimestre o livro de Números.  Esta será uma tarefa desafiadora uma vez que estaremos percorrendo uma história repleta de símbolos, ordens, ritos, formalidades que, na melhor das hipóteses, pode soar como um passado distante de um povo que se perdeu no deserto (real e metafórico) e que nada tem que ver conosco que vivemos o tempo do fim.
Tudo isso tem uma parcela de verdade, porém, o texto escolhido como verso áureo lança luz sobre a letra fria do livro de números, pontuando que vivemos a mesma condição.  Estamos no deserto deste mundo, caminhando no tempo do fim dessa história, na direção de nossa Terra Prometida - a Canaã Celestial.
As perguntas pertinentes para esse trimestre são:
1. Em que somos iguais ao Israel Antigo?
2. Em que somos diferentes?
3. O que podemos aprender para, no mínimo, evitar os mesmos erros?
4. Quem é o Deus que atuou lá, e o que espera de nós agora?

"Essas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas como advertência para nós, sobre quem tem chegado o fim dos tempos” (1 Coríntios 10:11, NVI).

Com esse espírito deveríamos observar essa história intrincada do deserto israelita, pensando o nosso jornadear. Aliás, só pra constar, esse é o nome do livro no original - BEMIDBAR - "No Deserto".
Na lição introdutória do trimestre, somos conduzidos a refletir sobre um tema controverso, que tem remetido o mundo social e político a caminhos curiosos - UMA NOVA ORDEM.
Sim, uma NOVA ORDEM é a tônica do momento visto o caos econômico e estrutural em que nos metemos nesse velho e cansado mundo.
Para este tempo, Deus suscita um povo, como no tempo de Israel, para que apresente ao mundo não somente uma NOVA ORDEM, mas a VERDADEIRA ORDEM - Deus em Tudo e em Todos.
É interessante que Deus comece a nova ordem, pondo "ordem na casa". Em sua infinita sabedoria, Deus pega um "bando" israelita, recém libertos da escravidão e domínio, e forma um povo, organizado, disciplinado, e mais ainda, constrói um exército.
A primeira  parte da organização se dá com a forma de culto, a construção da casa de Deus. Acho fantástico isso, pois, como a Bíblia pontua, pela contemplação somos transformados.  Sendo assim, antes que Deus produza ordem no povo, Deus vem habitar com o povo. Pela convivência com Deus, pela revitalização da santidade do culto, pela recuperação moral que se processa a partir de todo o rito sagrado, Deus produz as condições necessárias para alterar a ordem de Israel.   Que lição pra nós, pois, ordem que não resulte de uma transformação interna do caráter, não passa de mero formalismo.  Primeiro Deus liberta o povo, depois convive com Ele e o converte, e então o organiza.  Laodicéia me parece sofre deste mal. Inverter a ordem das coisas e criar sua própria Ordem.  Curiosamente duas coisas acontecem quando invertemos a ordem de Deus -  ou nos tornamos legalistas extremados, ou liberais exacerbados.
Ao escolher habitar com o povo, Deus começa a primeira lição de ordem . Ele escolheu um grupo que se responsabilizaria pelo templo - os levitas.
Qualquer um poderia olhar e se perguntar - por que eles? Por que não nós?
Isso me faz lembrar de uma pergunta distante com a qual terminei a discussão do trimestre passado. Um anjo no céu se pergunta - Por que Ele, e não eu?
Não quero repetir a lição, por isso vou acrescentar um item a discussão da tarefa levítica -  a Humildade.
A Nova Ordem de Deus tem aspectos que envolveriam os líderes e os liderados.  Quanto aos líderes, o profundo senso de santidade ao lidar com as coisas de Deus.  A pena para o insano seria a morte diante de Deus.  Aos liderados, a aceitação das escolhas de Deus e a humildade.
Deus tem seus motivos por ter escolhido os levitas, a mim, Benjamita, Damita, Rubenita, Efraimita, "Adventista" cabe a alegria de ter alguém que conduza o rebanho e que devote a vida para realizar a missão de cuidar das coisas de Deus.
Há um texto de Orwell que conta a história de uma revolução dos bichos e que termina apresentando uma Nova Ordem pela perspectiva do egoísmo humano.  A dura conclusão da parábola proposta ali é a de que:  "Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros".
Ao analisarmos essa amarga conclusão, que é a expressão nítida de pra onde nos leva o egoísmo humano, verificamos que aí embutida uma imensa mentira e uma amarga verdade.
Na resolução do problema do mal, há sim uma verdade nessa frase. O mal nos fez diferentes uns dos outros em muitos aspectos. O mal nos fez acharmo-nos melhores  que outros, e, curiosamente, antes que Deus nos ensine que isto é equivocado, Deus exacerba a diferença. Na Nova Ordem de Deus, ao separar os levitas, depois os líderes do povo e do exército, e assim por diante, parece cristalizada a diferença e a dura conclusão de Orwell. Será essa a verdade final, na Nova Ordem de Deus, alguns são mais iguais do que os outros?
É exatamente aí que se confirma o fato de que a Nova Ordem de Deus não é somente uma nova ordem mas, a Verdadeira Ordem.  Ao percorrermos a história de Israel, seremos conduzidos por um caminho diferente de tudo o que até agora se manifestou em qualquer ordem mundial ou fenômeno social conhecido da humanidade.
Ao isolar o sagrado do profano, ao distinguir levitas do restante das tribos, longe do ser mais igual, Deus resgata a igualdade na diversidade.
Apenas pra constar, tente imaginar o dia da expiação - Se um, apenas um, pobre e coitado, humilde e desventurado israelita se encontrasse em condição de pecado não confessado, quem seria instantaneamente consumido pela glória de Deus ao cruzar o véu do lugar santíssimo?
Longe, muito longe, e muito mais profundo do que exaltação, privilégio, soberba, reside a regra da responsabilização.
Ao percorrermos as lições desse trimestre devemos estar atentos aos detalhes que se escondem além da superfície dos símbolos e dos ritos.
Devemos ter em mente que Deus está lançando as bases da construção de um povo que deveria representá-lo na terra.
Nisso reside a proteção do sagrado, a separação (conceito de santidade) não de levitas, mas de um povo, e dentro do povo de um grupo de ministros - ministros do sagrado, ministros do juízo, ministros da música, ministros da guerra, etc..
Todos estes debaixo de uma mesma lei - a quem muito se confere, muito se responsabiliza.
Aos 3 objetivos da lição desta semana, responderia o seguinte:
1o. Saber: Como Deus trouxe ordem ao povo de Israel para que este O representasse.
·    Deus libertou (salvou) o povo. Somente um povo livre poderia ter ordem verdadeira que diverge da tirania. Somente seres livres podem representar a um Deus que tem como paradigma o livre arbítrio. Somente um povo que escolha legitimamente a Deus e não ao Inimigo pode ser considerado apto a representar o Objeto da escolha.
·    Deus conviveu com o povo.  Deus veio até onde estava Israel, e pedacinho por pedacinho procurava lhes restaurar o caráter e produzir uma segunda espécie de liberdade - A Liberdade de nós mesmos e do pecado (João 8:32).  Israel precisava entender que havia saído do Egito, mas continuava sob escravidão. A convivência com Deus e com os que Deus escolheu desenvolveria respeito, devoção, humildade, consciência e todas as coisas que o pecado lhes havia consumido.
·    Deus imprimiu no povo uma nova organização, diversa da que o mundo propôs. No topo da cadeia não um rei, mas O REI dos REIS. (É pena que ao sair do deserto Israel tenha preferido escolher intermediários - seus próprios reis)
2o. Sentir: As semelhanças entre Israel e a igreja de Deus e identificar-se com as lições que Deus está tentando nos ensinar.
Aconselho a esta altura que se releia a carta a Laodicéia expressa em 3 textos da Bíblia:
·    Apoc. 3: 14-21 para o qual faço consideração principalmente ao verso 20 - "Ao que vencer concederei que se assente comigo no meu trono assim como eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono." Para os que nos achamos especiais demais, Cristo lembra o fato de que o trono é dEle e não nosso. Para os que estamos tristes por nos acharmos humildes de mais perdidos em nossos complexos de inferioridade, ele nos assegura que temos lugar em seu trono, ao seu lado, com Ele que é o Rei dos Reis.
·    A carta de Paulo aos Colossenses. Por que?  No verso 16 do capítulo 4 Paulo pede que essa carta seja encaminhada e lida a igreja de Laodicéia.  Somos Laodicéia, e portanto, deve haver algo realmente importante aí para que Paulo tenha se preocupado em advertir dessa forma, não acha?
·    A carta aos Efésios.  Se a essa altura você já tiver lido os dois textos anteriores, vai perceber que a uma rigorosa semelhança entre o texto aos efésios e aos Colossenses.  Alguns comentaristas tem sugerido que a carta denominada aos efésios, na realidade seja a carta perdida de Laodicéia, ou  ainda uma carta aberta a toda cristandade ( a Laodicéia metafórica).
Como sugestão, diria a você que mantenha esses 3 textos abertos durante todo o trimestre pois imagino que ao final você encontrará lições preciosas, apesar de que nem sempre agradáveis, sobre sua semelhança pessoal com o Israel "no deserto".

3o. Fazer: Aplicar as lições de ordem à vida pessoal, à família e à igreja.
Dizer que precisamos aplicar tais lições, após as indicações do 1o. e 2o. objetivos, pode parecer tosco e redundante, embora não menos importante.
Então para esse item, minha sugestão se resume a um imenso:
SEM COMENTÁRIOS !!!
Ou melhor, um comentário pequeno:
- Cada um se olhe no espelho (Sou o primeiro da fila!!).  E se me permitirem uma aplicação homilética da celebre frase de Jesus:
"O que tendes pra fazer, faze-o depressa."
Que Deus nos abençoe, e que reproduza em nós não a Nova, mas a ÚLTIMA ORDEM.
Um bom trimestre a todos.
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