Comentário - III Trimestre 2010 - Lição 5 PDF Imprimir
Escrito por Moises Sanches Jr   
Sex, 30 de Julho de 2010 23:33

JUSTIFICAÇÃO E A LEI

 

Verso para Memorizar: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Romanos 3:31).

Objetivos

  • Saber: Por que uma compreensão da fé nas providências de Deus para nossa justiça é o fundamento de um relacionamento correto com Ele tanto no Antigo como no Novo Testamento.
  • Sentir: As bênçãos da justificação pela fé.
  • Fazer: Abandonar obras próprias e pôr toda a confiança no que Cristo fez.

 

 

Olá, aqui estamos nós outra vez em torno da clássica discussão entre lei e jutificação, ou lei e graça ou ainda lei e fé.  Por mais fascinante que possa parecer o tema, como já discuti bastante disso nos dois comentários anteriores, gostaria de me ater a algumas outras questões que particularmente o texto desta semana sinaliza.

Repare que o primeiro objetivo do estudo desta semana não é propriamente discutir se a lei foi ou não abolida ou extinta pela fé e graça, mas, antes de mais nada, conduzirnos a uma compreensão correta do Deus que atua no Velho e Novo testamentos, e sua metodologia descrita e adotada em ambos para o cumprimento do plano maravilhoso da redenção.

Nos textos anteriores ao verso 31 do capítulo 3 de Romanos existem alguns conceitos preciosos que conduzem à pergunta que Paulo faz aqui. Deixe-me recuperá-los:

1. Todos que estão no mundo são culpáveis pela lei -v.19

2.  A Lei proporciona o pleno conhecimento do pecado - v. 20

3.  Como somos considerados culpados diante da lei, e portanto, objetáveis e condenáveis à morte (Pena prevista para o culpado), há que se manifestar justiça (Cristo, o justo) que venha de fora deste contexto, mas que é testemunhada "como justa" pela lei (parâmetro de justiça que aprova Cristo como O JUSTO) e pelos profetas (os que conheceram, esperararm, viveram por e testemunharam de Cristo). v. 21

4. Para que não  haja dúvida, tal justiça é confirmada pela fé no Cristo como vindo de Deus, e está disponível a todos, pois não a diferença entre um ou outro neste mundo - TODOS PECARAM - v. 22 e 23

5. Somos justificados (alguém nos faz justos mesmo sem sermos), gratuitamente (não nos custa nada) por SUA graça (não custa nada pra nós, mas custa pra alguém, ou seja, gratuitamente mas não de graça), pela redenção que há em Cristo (alguém nos remiu -- pagou o resgate ou se ofereceu para ocupar nosso lugar como refém), ao qual Deus propôs para propiciação pela fé (alguém escolheu o resgate e a forma do pagamento - o Pai entregou o Filho, Seu bem mais precioso) no seu sague (Eis o preço).   v. 25

6. Tudo isso tinha alguns propósitos: demonstrar a justiça (a exigência da lei sobre o transgressor foi sanada), e a abrangência é desde que existe pecado, sendo tolerado pela paciência de Deus (todos os que pecaram antes da Cruz, mas que confiaram na promessa da justificação em Cristo - de Adão à João Batista) v. 25 2a. parte

7. Mas não atinge só a estes, demonstra a justiça até o tempo presente, para que Cristo possa ser justificador de todo o que vier a ter fé em Jesus (Tal sacrifício nos atinge até hoje - AMÉM) v. 26

8. Nossa indignidade e ausência de alternativas frente a morte (resultado de nosso pecado e demonstrados ao nosso conhecimento pela lei) nos faz ansiar por salvação, e ao descobrirmos o que Cristo fez por nós, sendo imerecedores de qualquer graça, nos faz perder todo o orgulho e fortalece nossa confiança, nossa fé. v. 27

9. A conclusão - Somos justificados pela fé, sem obras da lei.  Que obras da lei ?  As nossas, pois, se somos pecadores, nossas obras estão manchadas, adulteradas, ou qualquer outro qualitativo sórdido que você encontrar que possa descrever nossa precária condição.  Essas obras não podem nos salvar pois não atendem ao Padrão imposto pela lei. Logo, somos justificados pela fé em Cristo - Aquele que conseguiu cumprir tais parâmetros. v. 28

Bom, a essa altura você está me questionando se essa não foi a lição da semana passada... Bem, vc está certo, mas, lembre-se que o verso 31, da lição desta semana, é o fechamento dessa discussão.

Qual é a conclusão possível para todo esse pacote de graça que Cristo nos concede? Talvez você fosse tentado a pensar que já que Cristo foi o único que cumpriu a lei, você está isento de fazê-lo. Ou ainda, que Cristo lhe deu um salvo-conduto para todo e qualquer pecado passado ou futuro. Para que não reste dúvidas, Paulo soberbamente conclui: A fé não anula a lei, antes, a confirma. Mais do que isso, a estabelece.

Ou seja, a Lei exige a morte do pecador, e Cristo se oferece para morrer pelo pecador, e isso coloca o pecador em condição de justiça. A lei foi cumprida tanto no parâmetro quanto na penalidade. A pergunta que corrige tudo isso é: E daqui pra frente? Qual será o parâmetro? Se a lei foi extinta na cruz, por que continuamos morrendo? Se tudo foi resolvido na cruz, por que ainda estamos aqui? Por que ainda sofremos?

Talvez você me responda assim, bem, sabe, o pecado ainda está aqui. Vivemos em um mundo mal, e portanto, o pecado nos assola e nós morremos. 

Mas então eu sou obrigado a lhe devolver a pergunta: Como eu sei que existe pecado se não existe mais lei, pela qual vem o pleno conhecimento do pecado?  Ora, Paulo afirma em Romanos 15:4 que onde não há lei, também não existe transgressão, logo, se a lei se foi, a transgressão e o pecado se foram igualmente com ela.

Nesse momento da discussão Paulo abre um recorte na história e nos faz voltar os olhos a dois grandes personagens do "MUNDO DA LEI" do Velho Testamento:  Abraão e Davi.

Para qualquer cristão do passado e de hoje, assim como para qualquer hebreu, do passado ou de hoje, não existe qualquer dúvida sobre o fato de que tais personagens viveram sob o regime do Velho Testamento, ou da Velha dispensação como querem alguns.  Mas há uma diferença entre ambos: Abraão está antes de Moisés, e, portanto, antes da Lei de Moisés, ou da Lei de Deus, ou da Torah, ou de qualquer texto instrutivo do período profético bíblico.

Há que se tirar o chapéu para a perspicácia de Paulo ao tratar desta questão espinhosa que é tentar unir o método Vetero e Neo testamentário. Atente para a sutileza da pergunta: A Promessa feita a Abraão foi pela lei ou pela justiça que vem da fé?

Se respondermos que foi pela fé, então estamos dizendo que a mensagem da justificação pela fé é anterior a cruz, e que portanto, todo o velho testamento, assim como toda a História dos descendentes de Abraão estão alicerçadas na justificação pela fé, o que torna o Velho Testamento velho só no nome que demos pra ele, mas, todavia, permanece novíssimo.  Se por outro lado, respondermos que a promessa feita a Abraão foi baseada na lei, a fé está nesse momento anulada, e não somente isso, estaremos dizendo que Abraão cumpriu todo o padrão que a Lei exige, tornando-se santo por seus próprios meios, o que elimina completamente a necessidade da morte de Cristo, pelo menos, para Abraão. Isso abriria as portas para todos os beatos modernos poderem chegar ao céu sem Cristo.  Mais ainda, faria de Cristo nosso devedor e não nós devedores dEle.

Para não restar dúvida de que a justificação sempre veio da fé, e nunca da lei, Paulo escolhe alguém que viveu nos tempos da Lei - Davi.  Ao refrescar nossa memória com as mazelas do pobre Davi, Paulo resgata o fato de que não fora a graça de Cristo que não imputou o pecado de Davi, perdoando e cobrindo para que satanás não tenha do que acusá-lo, ora, Davi jamais poderia ter sido conhecido como varão segundo o coração de Deus.  

Por que então essa ênfase tão grande em extinguirmos o velho testamento, se as bases da justiça e da fé estão lá?

Talvez romanos 4:12 nos dê uma pista - para sermos filhos na fé considerados herdeiros de Abraão, temos que andar nas pisadas de Abraão.

O que me parece, é que a humanidade deseja ansiosamente um caminho mais fácil, um atalho, que não exija compromissos, e principalmente, não exponha a vergonha do pecado.

A idéia de um Cristo acolhedor e perdoador nos parece fantástica, porém, a presença de um Cristo Senhor de nossa vida não nos agrada.

Com o devido respeito, uma fé com esta ausência de compromisso, não é fé, é presunção.

A fé proposta pelo velho testamento, e confirmada no novo, é a confirmação do objetivo e padrão que Deus esperava de seus filhos ao chamá-los pra ser santos sob a égide da Lei.  Não somente isso, mas Deus queria que sua lei estivesse escrita em seu coração. A grande questão é a seguinte:  Deus mudou o padrão? Deus afrouxou as normas para que pudessemos alcançar o céu?

Ao que me parece, pelo padrão de Mateus 5 e 6, Deus arroxou o padrão. Mas igualmente com isso, Deus ampliou o poder para que aquilo que sozinho nos seria impossível, nele se tornaria factível (Tudo posso naquele que me fortalece, Sem mim nada podeis fazer, Aquele que está em mim produz fruto, jamais o lançarei fora, e tantos outros textos que sabemos decór, mesmo que talvez não compreendamos a amplitude de seu significado)

Não é sem motivo que os textos de I João 2:6-8 unem de maneira tão sublime as realidades do Velho e do Novo Testamento e curiosamente, e ao fazê-lo resgata a unidade e perpetuidade de ambos.

E para quem ainda tem dúvida da efetividade e perpetuidade da lei, por favor, me explique o que faz o Advogado de I João  2:1 num lugar onde não existem leis para ancorar a defesa, ou mesmo para apontar o pecado?

Resumindo, não há qualquer coisa em nós que possa ser considerada favorável para nossa defesa em tribunal. Nossa única saída reside na confiança irrestrita de que Cristo seja Justo e competente para ocupar nosso lugar.

Ao descobrirmos isso, nossa resposta deveria ser de gratidão eterna e de confiança irrestrita nesse Deus maravilhoso, não só por que Ele nos tirou da encrenca, mas por que Ele nos adotou como irmãos e filhos de Seu Pai, e só por que nós acreditamos no Seu nome.

A forma pela qual demonstramos que estamos de fato agradecidos, e dispostos a aceitar a adoção, é que abandonamos nossas práticas e decidimos viver como Ele viveu. Aceitamos seu poder e sua transformação.

Vivendo assim, um dia, poderemos receber em definitivo sua glorificação, e então, na qualidade real e completa santidade, andarmos eternamente em sua presença.

A Lei e a Justiça exigem isso. A graça, torna isso possível.

 

 

 

 

 

 

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