|
JUDEUS E GENTIOS Conhecer: A grande divisão entre legalismo e justiça pela fé no início da igreja bem como na igreja de hoje. Sentir: A defesa apaixonada da justificação pela fé por parte de Paulo e de outros líderes da igreja. Fazer: Examinar a vida em busca de evidência da luz e do poder da graça, bem como o dom da obediência. A lição desta semana continua o processo introdutório do estudo de Romanos, e nos chama a atenção para o cenário ou panomrama em que Paulo vivia, após os primeiros anos de expansão do cristianismo. O autor nos chama a atenção para o fato de que, na primeira fase do processo de evangeilização, os conversos eram provindos da cultura judaica. Judeus de nascimento, cultura e fé. Por essa perspectiva, somos conduzidos a um fenômeno curioso do processo de conversão: O cristianismo não interfere nos costumes que essencialmente não tenham pecado em si mesmos. Isso quer dizer que, muitas das práticas judaicas estabelecidas por Deus na condução do povo do Egito a Canaã, e mesmo alguns costumes incorporados pelo povo depois disto, mas que não eram pecaminosos ou maus essencialmente, continuaram a fazer parte desta comunidade, mesmo após sua adesão ao cristianismo. O que ocorre porém, é que após a empreitada evangelística dos apóstolos fora de Jerusalém, e principalmente a pregação de Paulo, o cristiamismo traz para o seio da igreja pessoas de outras culturas, com outros costumes, percepções e práticas, que também não continham pecado em sua essência, eram apenas diferentes. Uma maneira fácil de entender o que se passava, talvez fosse a seguinte: Imagine que você tenha sido criado na África, onde pelo clima e lugar, as pessoas tenham sido conduzidas a usar roupas diferentes da sua, e em lugar de Terno e Gravata, sua melhor roupa seja uma Túnica colorida e um turbante. Você chega para estas pessoas e impõe seu costume europeu ou aceita a estravagância de cores daquela túnica? Quando Israel foi chamado por Deus a caminhar no deserto, uma porção de costumes nocivos vieram no pacote, e Deus interferiu na conduta daquele povo não somente para retirar deles o pecado, mas também para afastar deles todo tipo de intriga e doença que seriam fatais após alguns dias juntos, toda aquela gente, no meio do nada. Esse conjunto de prescrições, pelos quais foram orientados por Moisés a viver e obedecer, garantiriam a expansão, sobrevivência, fortalecimento, saúde física e convivência saudável àquele enorme contingente de pessoas que sairam do Egito. O grande problema daquele momento, é que todo esse contingente de normas, leis, estatutos, regras e orientações, foram passados a Israel com um tom religioso, e em muitas circunstâncias, mesclados de um cerimonial religioso. Este tom fez mesclar a prática, os costumes e a cultura ao que era a essência da religião judaica. Isso pra nós hoje, causa uma série de dificuldades ao tentarmos separar o que era a religião hebréia e o que era a prática local ou cultural dos hebreus. Para piorar a questão, o mesmo Deus que interferiu nos costumes daque nação em formação, é o Deus que lhes transmitiu a essência da fé, da religiosidade e dos Seus planos eternos. Nosso problema anterior, que já não era pequeno, se amplia ainda mais nesse momento, pois, se nos equivocarmos ao separar alhos de bugalhos, e com os bugalhos, jogarmos fora aquilo que é permanente (os alhos da fé), nossa referência se deturpa e o cristianismo se vestirá de uma roupagem sem essência, ou seja, de uma nova espécie de formalismo retórico, mas desprovido de recheio. Essa é a essência do conflito entre Judeus e Gentios nos dias de Paulo. Esse drama é o que Paulo assistia de perto nas comunidades gentílicas que se convertiam ao cristianismo e que agora, convivendo com judeus, precisavam separar cultura e fé, costumes e prinicípios. À luz deste contexto, somos conduzidos a Hebreus 8:6 - a Nova Aliança. Muitos tem lido esse texto com um sorriso nos lábios e uma expressão de vitória alegando que este texto elimina de nossa frente o velho testamento, e, por velho testamento, entenda o texto que lá está, e que, por conseguinte, devamos viver sob uma nova perspectiva, no novo testamento e o que ali está. Em primeiro lugar, deixe-me convidá-los a ler o verso 10, onde o próprio autor de Hebreus, que consideramos sob inspiração seja o próprio Paulo, explica a tal Nova aliança: "Porque esta é a aliança que depois daqueles dias Farei com a casa de Israel, diz o Senhor; Porei as minhas leis no seu entendimento, E em seu coração as escreverei; E eu lhes serei por Deus, E eles me serão por povo."
O texto do verso 6, lido isoladamente do capítulo todo, dá a falsa impressão de que tudo que regia o povo do antigo testamento teria sido extinto a partir da intervenção messiânica na história do mundo. Mas quando lemos o restante do capítulo, o problema essencial aparece. Israel em sua jornada até canaã, e em sua busca da promessa de que o Salvador viria, abandonára os princípios que regiam a fé e se apegaram a um formalismo superficial, a ponto de que não somente perderam a promessa, como desconheceram o Messias quando esse se manifestou. O que o texto de Hebreus resgata magistralmente é o Sonho de Deus, de que um povo decidisse viver de forma irestrita sob a tutela e senhorio dEle mesmo. Isso fica muito claro nos próximos versos (11-13): "E não ensinará cada um a seu próximo, Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, Desde o menor deles até ao maior. Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais. Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar."
A questão não é e nem nunca foi de que as Leis de Deus tenha sido abolidas, ou de que o velho testamento tenha sido extinto, mas sim de que Deus queria um povo que vivesse o evangelho em toda a sua essência, e que mantivesse suas leis internalizadas no coração. Curiosamente, um povo assim, não precisaria da misericórdia de Deus, pois teria se conduzido a tal grau de semelhança com ele que o mal poderia ser considerado extinto de sua prática. Longe o perfeccionismo imposto pelo legalismo e pela formalidade, o que Hebreus 8 tenta resgatar é o fato de que o céu não é um lugar para pecadores, mas para pecadores perdoados e que abandonaram o pecado como regra de vida. O livro de romanos é um convite a sermos santos. Santos desta espécie. Pessoas que tenham em alta conta a vontade de Deus em lugar da sua própria vontade. Que vivam à luz da santidade divina, e que como Paulo, cofiem na imensa graça perdoadora de Deus, mas não parem ali. Como disse anteriormente, nosso problema reside em separar o que era formalismo, cerimonial, civil ou cultural, daquilo que era vital, essencial e eterno. Deixe-me dividir o cristianismo em 2 grandes blocos, e talvez, fique mais fácil de você entender o conflito em nossos dias. Na história do cristianismo encontramos dois grandes grupos: De um lado os católicos tradicionais, que desde pequeno são ensinados a decorar e guardar a lei. Está nas normas do catecismo que de que pequenos somos ensinados para a comunhão. De outro lado, após o movimento de reforma, se posicionam os protestantes, que como forma de combate a fé católica, relegam a um passado longínquo e distante, numa atitude de repúdio, qualquer possibilidade de lei. Quem esta certo nessa discussão? O que fazer para ser salvo? Percebam que o problema é muito semelhante ao dos dias de Paulo. Não quero esgotar o tema nessa lição, pois teremos o trimestre todo pra estudar sobre isso, mas deixe-me fazer algumas perguntas pra você refletir: 1. Você conhece alguma parte da Bíblia que tenha sido escrita com o dedo de Deus? 2. Você Sabe que parte das coisas que faziam parte do rito e culto judaico foi escondida para não ser deturpada pelo cativeiro babilônico? 3. Que coisas estavam dentor daque arca escondida? 4. Se você perguntar a um cristão criado na religião católica, e que, portanto, guarda a lei, se existe algum mandamento que não seja guardado, qual será a resposta? 5. Se você perguntar a um protestante moderno, e que portanto, não guarda a lei, porque eu não devo matar, adulterar, desonrar pai e mãe, mentir, roubar, cobiçar, e todas as outras coisas que a lei de Deus precreve, qual será a resposta? Perceba que concensualmente, todo o problema, em ambos os casos, não reside nos 10 mandamentos, mas apenas em 2 deles - o 2o. e o 4o. mandamento. Ou seja, se quisermos produzir paz entre as comunidades cristãs atuais, basta retirar esses dois mandamentos da Lei, e todos aceitariam os 8. Ao mesmo tempo em que isso se torna evidente, também igualmente evidente se torna o fato de que não existe dúvida de que todo cerimonial e código civil judaico tenha sido extinto na Cruz. Tentar impor tal cerimonial aos novos conversos gentios seria um fardo, um despropósito. Porém, já desde os tempos paulinos, alguns experts na discussão teológica já tentavam colocar no meio dos bugalhos, alguns alhos, abolindo juntamente com os costumes de uma geração, alguns dos princípios e Leis eternos de Deus. Isso nunca foi a intensão nem de Paulo e nem de qualquer apóstolo. O problema todo se concentrava na tentativa judaica de impor seus costumes sobre os gentios conversos. Tentar misturar as coisas, constitui não só uma violação ao contexto de uma época e a interpretação dos textos bíblicos, como impõe um sério risco a cristandade moderna de retirar o pêndulo que estava cimentado no lado do legalismo, e prendê-lo do lado oposto, no liberalismo extremo de um cristianismo descompromissado, que aceita um Salvador, mas ignora seu senhor. Assim como nos dias de Paulo, somos convidados a ser um povo santo, coerente, e que viva a Lei moral de Deus em toda a sua essência, e que a tenha escrita em seu coração. Tal espécie de pessoa será conhecida como remanescente fiel (Apoc. 12:14) pois guarda incondicionalmente os mandamentos de Deus, bem como o testemunho inabalável de Jesus Cristo. E a pergunta que eu deixo pra finalizar é: Quem são os judeus e os gentios modernos? De que maneira você tem se posicionado de um lado ou de outro nessa balança? Como o evangelho de Cristo tem contribuído para que pelo amor e pela misericórdia de Deus você se torne tolerante para com os fracos na fé (os legalistas) ao mesmo tempo que que você se torna um cristão sólido como a rocha, pela proximidade e semelhança com um Cristo Santo e que é Senhor de sua vida? Um grande abraço, e até a próxima semana.
Artigos Relacionados: |
Comentários
Feed RSS para comentários deste texto